Não, não sou eu que estou trabalhando com internet, e sim a Érica. Ela está como chefe de reportagem de vários sites em São Paulo. Sua missão será reformulá-los e ajudar a aumentar a audiência. Um dos sites é o conhecido Fliperama. Os demais são novos e ainda não têm muitos acessos.
Por isso estou aqui, para deixar os links dos sites e pedir para que vocês visitem, deixem comentários, leiam os textos etc. Valeu!!!
Aposto que ninguém consegue trabalhar direito na Ilustrada ou no Caderno 2 há uns bons dias. Sim, porque o mundo tremeu. E não foi por causa dos pesados ataques trocados por Israel e o Hamas. Mas por causa de algo muito mais grave: Caetano Veloso e Tom Zé estão discutindo em seus blóguis, é uma briga. Que coisa!
Fico aqui imaginando a confusão: repórteres procurando um jeito de dar razão ao Caetano (que, claro, é um gênio da raça, está sempre certo!) sem magoar o pobre Tom Zé, um luminar inquieto dessa nossa sempre prolífica MPB. Jornalistas, articulistas e palpiteiros de redação continuam preparando seus textos definitivos sobre o embate de ambos, lembrando o papel importante que ambos representam para a cultura genuinamente brasileira e o quanto perde (ou ganha) o Brasil com um embate desta envergadura. E, claro, em dado momento o Álvaro Pereira Júnior vai aparecer com alguma tirada sobre o assunto, que para ele será genial, claro.
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Nos cadernos esportivos, as manchetes para os dias de festa já estão prontas: “Ronaldo faz dieta no réveillon”. “André Sanches está feliz com Ronaldo”. “Fenômeno vai gravar CD com a Fiel”. E eu que achava as especulações do “mercado da bola” o pior da mídia esportiva no final de ano.
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Sim, com certeza foi uma idéia de gênio, comercialmente falando. Todo mundo comentou, saiu em todo lugar e muita gente comprou as revistas. Mas tem algo mais ridículo do que fazer a Turma da Mônica crescer? E em formato mangá? VTNC!
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As grandes reportagens estavam sumindo da televisão. De uma hora para outra, várias emissoras resolveram criar programas específicos ou dedicar generosos espaços em seus telejornais. Evidentemente, o negócio começou “assim-assim”: material comprado do exterior, reportagens óbvias sobre santuários ecológicos e foco em esoterismos mil. Mas o importante é que se abriu um espaço para, em breve, boas produções ganharem a luz do sol. Sonhar não custa nada, então fico em frente à TV esperando uma boa matéria. E enquanto ela não aparece, vou assistindo via DVD meus films du carosse, que ninguém é de ferro.
A primeira coisa que fiz quando entrei no Via Funchal, para assistir ao show do REM foi olhar para o palco. Foi quando vi que já tinha uns negos tocando e cantando lá. E daí eu me lembrei: “Putaquipariu. O Wilson Sideral é quem abre o show. Tinha me esquecido”.
Para quem não sabe, Wilson Sideral é irmão do Rogério Flausino, vocalista do Jota Quest. Noves fora o fato de não tocar em rádio alguma e não vender porra nenhuma de disco, ele tem a carreira parecida com a do mano: um dia achou que podia ser uma versão branca do Jorge Ben e, quando viu que não ia conseguir ser nem um Paulo Diniz, desencanou e resolveu fazer música ainda mais fácil, extremamente fácil (aliás, essa é dele).
E daí você pergunta: o que a porra do Wilson Sideral tem a ver com o REM? Bom, aqui no Brasil o Franz Ferdinand já abriu pro U2 e falam em James Blunt abrindo pro Elton John. Nem vou comentar o Erasmo Carlos, o Lobão e o Carlinhos Brown no Rock in Rio. Enfim, é tipo uma tradição, manja?
Pois. Evidentemente, todo mundo chiou, vaiou e aplaudiu (quando ele disse que era a última música). Mas eu, besta que sou, fiquei com pena do pobre.
Sim, pena. Imagine que você é músico, não anda lá com a bola muito cheia. Se bobear, anda num perrengue danado. Aí, do nada, um retardado liga pra você e te contrata pra abrir o SHOW DO REM.
Com certeza você pensa: “puta merda, meu som não tem nada a ver com os caras. O povo que vai estar lá não vai gostar. Vai ficar todo mundo com cara de bosta esperando meu show acabar”. Só que aí você pensa que tá duro, precisa da grana e de um pouco de visibilidade. E lembra que isso vai constar no currículo: abrir os shows do REM em São Paulo. Sem falar que você vai ser aplaudido pra caralho se avisar pro público que aquela música que vai tocar é a última. Bingo! Você aceita tocar no Via Funchal. Quem não aceitaria?
Agora, o que ninguém pergunta é o nome do gênio que teve a brilhante idéia de trazer o irmão do Rogério Flausino pra abrir um SHOW DO REM!!
O Brasil viveu 20 anos sob o jugo de uma feroz ditadura, que não só tolheu a liberdade de expressão, mas tentou, de todas as formas, sugar o senso crítico do brasileiro. Com uma maciça campanha publicitária, os ditadores de plantão trabalharam duro para exacerbar a paixão do brasileiro pelo futebol, até transformá-la num forte alienador das massas.
E, infelizmente, conseguiu seu intento: enquanto a sensacional seleção de 1970 dava shows nos campos do México, nosso povo continuava pobre e oprimido, mas ignorava seu sofrimento se deliciando com as primeiras transmissões via satélite de uma copa do mundo.
Os anos se passaram e o povo continuou vivendo no seu mundo encantado do futebol, talvez para fugir da dureza da vida real. E assim agiu o brasileiro, até descobrir, abismado, que seu universo paralelo era tão podre quanto aquele do qual fugira. O surgimento da máfia da loteria esportiva, as viradas de mesa, as jogadas de bastidores vieram à tona. Mesmo assim, o amor pelo futebol perdurava.
Muita coisa mudou no futebol desde então, mas a essência permaneceu: o brasileiro, este teimoso, insiste em amar o futebol e seu clube, mesmo com todas as dificuldades: partidas ocorrendo em horários proibitivos, graças às pressões das redes de televisão, ingressos a preços extorsivos, manobras sujas de bastidores, jornalistas aliciados por dirigentes.
A Imprensa esportiva, Infelizmente, não tem saído incólume dessa guerra. Mesmo tendo como missão mostrar o lado bom e o ruim do futebol, vários setores têm se calado, acuados pelo fanatismo cego de determinada facção de torcedores.
Perde o jornalismo, que luta para se manter imparcial, mas tem de baixar a cabeça para interesses clubísticos.
E perde a verdade, que continuará sendo varrida para baixo do tapete da notícia, como nos tristes anos de chumbo.
O cadáver de Isabella Nardoni nem bem esfriou e um novo prato foi servido, de bandeja, para o sedento telespectador brasileiro. O longo seqüestro de Eloá Rodrigues e a sua trágica morte vão ficar por um bom tempo presos na retina do brasileiro, não como exemplo de como a polícia deve ou não proceder, nem como algum tipo de aviso, mas como mais um número de um show bizarro.
E, no meio de um noticiário carregado nas tintas, sobra pra todo mundo. A polícia, incompetente de fato, vem sofrendo ataques desproporcionais, na base do “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Ou alguém acha que, se os policiais tivessem matado o rapaz e salvado as meninas, não seriam crucificados por “executar um rapaz trabalhador, sem antecedentes criminais, que só tava sofrendo por amor”? No meio disso tudo, temos a hipocrisia de uma família que quer indenização milionária e que tem agido como se a jovem tivesse sido torturada por policiais militares. O prato veio servido, e completo. Não falta nem a sobremesa.
Por conta disso, nos detemos no incessante ciclo do circo de horrores travestido de notícias. Antes de Eloá, tivemos Isabella e, antes dela, os Richthofen. E daí penso: quantos casos semelhantes como esse não ocorrem por aí e são relegados à poeira do esquecimento?
De início, atribuímos o exagerado interesse no caso de Suzane von Richthofen e dos irmãos Cravinhos ao fato de a jovem ser de família abastada, o que não apenas aguça o interesse do brasileiro médio como serve para aumentar o alarde da Imprensa: “Oh, as classes A e B vivem uma tragédia” etc. Na história de Isabella, uma pequena suspeita começou a surgir. Casos de crianças mortas por pais e padrastos ocorrem com uma freqüência assustadora. Porque nunca se deu espaço a esse assunto?
Com o ocorrido em Santo André, tudo parece se explicar. Com exceção das 100 horas de seqüestro, o caso foi muito parecido com dezenas de outros. Foi trágico, como foram tantas outras ocorrências semelhantes de amantes ofendidos que resolvem fazer “justiça com as próprias mãos”, e que foram fadados ao esquecimento.
Foi se o tempo em que uma ocorrência criminal só tinha relevância se atingisse alguém importante, famoso ou muito rico. Hoje, o que interessa é manter sempre o ritmo. Não deixar a peteca cair e segurar um caso o máximo possível. Quando o crime esfriar, é imperativo que, em menos de três meses, outro caso venha à baila.
Essa regularidade por parte da cobertura policial tem causado engulhos. É impossível que, entre o Caso Richthofen e o Caso Isabella, e entre este e a Tragédia de Santo André, não tenha surgido algum crime policial semelhante a este. O que nos faz concluir que o espaço dado não segue nenhum critério de relevância, e sim de uma horrenda necessidade de manter o sangue no noticiário, seja no jornal, seja na TV ou na internet.
Vamos aguardar agora a história de Eloá esfriar e contar os fatídicos três meses até que um novo crime cause revolta na população – e motive uma impressionante caravana de vagabundos ao velório de uma completa desconhecida.
Assistir a “São de Cera as Luzes da Cidade” é muito mais que simplesmente colocar a bunda em uma cadeira e ficar em silêncio assistindo a uma peça de teatro. É ficar preso à poltrona, com os pensamentos e as emoções soltas da primeira à última cena. É não conseguir falar porque a garganta secou para poder umedecer os olhos. É assistir a uma obra de arte em estado puro, porque traz tudo o que uma genuína manifestação artística precisa trazer.
Não há como ficar indiferente à montanha de sensações movida pelo texto direto e pela direção precisa de Paulo F. Um turbilhão de idéias passa pela mente durante a peça, uma emocionante história sobre amores, relacionamentos, sonhos e frustrações.
"São de Cera as Luzes da Cidade” é a história de Camila (Marina Franco) e Arthur (Paulinho Faria), casal que faz de suas escolhas profissionais a ponta-de-lança de suas idas e vindas entre o amor, a alegria e a desilusão. Ela larga o emprego burocrático para investir em sua carreira musical, enquanto ele busca se firmar em seu trabalho como cartunista. Entre um dedilhar de violão e um rabisco, surgem as luzes sobre as mesas e os palcos, que os unem e os separam.
A peça é obra do talento e da coragem do jovem escritor e dramaturgo Paulo Ferro Júnior, ou simplesmente Paulo F. Ao contrário de muitos que apenas choram as dificuldades que surgem no caminho, ele botou mãos à obra e, obstinado, nadou contra a maré até emplacar seu grande trabalho no teatro Ruth Escobar. Enfrentou dificuldades, passou grandes perrengues e lutou contra o árido cenário teatral brasileiro, que vive de peças pseudo-engraçadas movidas pelo nome de algum ator global. Uma luta feroz.
Luta esta que se tornou uma peça de primeiríssima qualidade. A bacaníssima trilha sonora recheada do bom e velho Nei Lisboa e a iluminação impecável criam o clima perfeito para as ótimas interpretações de Marina e Paulinho. Os diálogos são certeiros, matadores. Daqueles que nos deixam em suspenso, esquecidos de tudo. O fim da peça é como o acender de uma luz, que nos tira de nossos pensamentos e nos traz de volta para a vida real.
Tudo é extremamente bem feito e sacado. Alguns diriam que é feito com amor, mas eu diria que é feito com tesão. É nítida a garra e a vontade desta turma que rala para mostrar que há vida inteligente no teatro e que o talento está aí, esperando o momento de aparecer e emocionar.
Fiquei tanto tempo fora deste blógui que acabei voltando próximo a outro jogo entre Palmeiras e São Paulo. Ando longe daqui porque tenho me dedicado (ou tentado) a meu blógui de esportes (www.esportemais.blogger.com.br).
Mas vim aqui apenas para publicar o texto de um grande dirigente do Palmeiras: Luiz Gonzaga Belluzzo. Quando vemos as choradeiras estúpidas e sem argumento do Marco Aurélio Cunha e as cartas mal escritas do Juvenal Juvêncio, comparamos com este texto do dirigente verde e percebemos quão grande é o abismo que nos separam do clube sem ética, sem história e sem tradição.
No Futebol, a Batalha dos Direitos
Por Luiz Gonzaga Belluzzo
“Sou homem e nada do que é humano me é estranho.” (Homo sum et nihil humani a me alienum). A sabedoria dos soberbos trata a questão humano-futebolística com desdém. Terêncio e o maior admirador de sua frase não fariam cara feia diante da polêmica travada em torno do local do segundo jogo da semifinal do Paulistão.
Avaliada sob escrutínio dos critérios e valores da vida moderna - aqueles que felizmente sobrevivem aos freqüentes soluços da barbárie - a controvérsia político-esportiva foi, no mínimo, pedagógica em seu significado. O desenvolvimento do conflito de opiniões, os pronunciamentos das autoridades, as críticas da mídia permitiram perceber que, entre o palestrinos, a questão crucial era a do reconhecimento de seus direitos. O Palmeiras nada mais fez do que assegurá-los. Ponto, parágrafo.
Fosse o gesto palmeirense interpretado como uma “vitória” na “guerra dos bastidores”, alcançada com o recurso da mobilização de autoridades, não valeria a pena. Nada valeria, porque, então, a alma seria pequena. O uso secular do “cachimbo oligárquico” deixou torta a boca da turma habituada a tramar ardis nos subterrâneos da política para ganhar “fora do campo” e massacrar o direito dos adversários. Remember 1942.
Rejeitamos a “batalha dos pistolões”. Travamos uma guerra de argumentos, como cabe aos humanos que aceitam as regras do debate civilizado e desimpedido, sempre admitindo que os resultados possam contrariar nossos interesses mais imediatos. A chamada “mídia palestrina” compreendeu que o direito de disputar um dos jogos da semifinal no Palestra não garante a vitória sobre o São Paulo. Apenas estabelece o princípio básico da disputa esportiva moderna: a igualdade de condições entre os competidores.
Nos sites e blogs palestrinos espalhados na Internet, em muitos deles, percebo esse espírito de resistência, a recusa à submissão diante dos poderes que não querem ser interpelados e muito menos contrariados. Não importa se tais poderes estão abrigados no aparelho de Estado ou submersos na maquinaria das grandes empresas de comunicação. As prepotências da superioridade presumida e da espetacularização midiática encontram, agora, resistência na obstinação dos blogs e sites comprometidos com o esclarecimento de seu público torcedor.
Se o assunto é futebol, certa dose de maniqueísmo é quase inevitável. Mas há que conter os exageros. A maioria, no entanto, sem as pretensões dos “eleitos do saber e da opinião”, ao falar do jogo da bola e de seu clube protagoniza a luta pelo reconhecimento de sua condição de indivíduo livre e sujeito de direitos.
Há quem diga que o Brasil, ao promulgar a Constituição de 1988, entrou tardia e timidamente no clube dos países que apostaram na ampliação dos direitos e deveres da cidadania moderna. É uma avaliação equivocada. Submetidos ao longo de mais de quatro séculos, à dialética do obscurecimento, aos paradoxos grotescos que regem a vida política e as relações de poder numa sociedade de senhoritos e seus asseclas, os brasileiros começam a desenvolver a autoconsciência própria do indivíduo moderno.
Me deparei hoje com esta matéria, publicada no G1, e que foi enviada a mim por um ex-colega da faculdade, via e-mail.
Britânico morre após beber água demais
Um homem morreu na Grã-Bretanha após beber grande quantidade de água, apontou o inquérito de um legista, em York, no norte do país. Shaun McNamara, de 35 anos, foi encontrado caído no chão do banheiro de sua casa em setembro do ano passado.
Resultados preliminares da autópsia apontaram que ele havia sofrido um ataque cardíaco, mas um exame post-mortem mostrou que McNamara morreu porque seu cérebro inchou devido a uma "intoxicação por água".
A intoxicação por água, ou hiponatremia, ocorre quando a ingestão de uma grande quantidade do líquido em curto período de tempo dilui minerais vitais para o organismo, como o sódio, a níveis baixíssimos.
Entre os efeitos da intoxicação estão fortes dores de cabeça, confusões mentais e em casos mais graves, como o do britânico, o inchaço do cérebro, podendo levar à morte.
Problemas psicológicos - A investigação não apontou a quantidade de água ingerida por McNamara e sugeriu que casos como esse podem estar ligados a problemas psicológicos.
Em depoimento à corte, a mãe do britânico, Gillian, disse que o filho tinha um longo histórico de depressão e ansiedade e que ele havia sido hospitalizado em 2005 por ter tomado uma overdose.
A polícia, no entanto, disse não ter visto qualquer sinal de tentativa de suicídio ao encontrar o corpo de McNamara e o legista concluiu que a morte foi "um acidente".
Casos de intoxicação por água já foram registrados entre maratonistas, que bebem grandes quantidades da água no final da prova.
Em abril do ano passado, o instrutor de academia David Roger, de 22 anos, morreu de intoxicação por água após correr uma maratona em Londres.
Parafraseando o colega que me mandou essa notícia: É por isso que eu só tomo cerveja...